Foto: Nathália Schneider (Arquivo Diário)
Adipometria mede a espessura das dobras cutâneas para estimar o percentual de gordura corporal e etapa importante no diagnóstico e acompanhamento da obesidade.
A morte de Dolly Martinez, ex-participante do reality show Quilos Mortais, reacendeu o debate sobre obesidade, seus riscos e formas de tratamento nas redes sociais durante a semana. Em entrevista ao programa Fim de Tarde, da Rádio CDN, nesta quinta-feira (16), o cirurgião da obesidade e do aparelho digestivo, Dr. Glauco Alvarez, esclareceu pontos sobre a doença.
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Considerada uma doença crônica, a obesidade está associada a uma série de complicações de saúde e tem impacto direto na mortalidade da população.
O que é a obesidade
A condição é caracterizada pelo acúmulo excessivo de gordura no organismo, acima do que o corpo consegue suportar, e geralmente é causada pelo consumo calórico superior ao gasto energético.
– Hoje ela é definida como uma doença crônica, grave, que traz junto uma série de doenças chamadas comorbidades, que podem levar à morte com maior frequência – explicou o Dr. Glauco.
Estão entre as principais comorbidades: diabetes tipo 2, hipertensão arterial, dislipidemia (colesterol alto), apneia do sono, doenças cardiovasculares, esteatose hepática (gordura no fígado), artroses e alguns tipos de câncer.
– Nós temos 13 tipos de câncer que são mais prevalentes em pacientes com obesidade – destacou.
Além das comorbidades, o quadro envolve alterações metabólicas e hormonais que impactam o funcionamento do organismo e aumentam o risco de complicações de saúde.
Classificação e gravidade
A doença crônica é dividida em cinco categorias, que indicam o nível de risco para o paciente: peso adequado, sobrepeso, obesidade grau 1, obesidade grau 2 e obesidade grau 3.
O diagnóstico é feito com base no Índice de Massa Corporal (IMC), sendo considerada obesidade quando o índice é igual ou superior a 30. O cálculo é feito dividindo o peso (em quilos) pela altura (em metros) ao quadrado.
Classificação | IMC | Principais Características | Recomendações Gerais |
Peso adequado | 18,5 a 24,9 | Faixa considerada normal | Manter hábitos saudáveis |
Sobrepeso | 25 a 29,9 | Alerta para início de ganho de peso | Atividade física regular e melhora na alimentação |
Obesidade Grau 1 | 30 a 34,9 | Início da obesidade, com risco de desenvolver comorbidades | Rotina de exercícios e reeducação alimentar |
Obesidade Grau 2 | 35 a 39,9 | Excesso de peso mais acentuado, com possível presença de doenças associadas | Acompanhamento médico e nutricional, dieta rigorosa e exercícios regulares |
Obesidade Grau 3 | ≥ 40 | Grau mais grave, com alto risco à saúde | Tratamento intensivo, podendo incluir cirurgia bariátrica |
Causas e cenário no Brasil
A obesidade tem origem multifatorial. Fatores genéticos influenciam, mas não explicam sozinhos o aumento dos casos. Mudanças no estilo de vida, como maior consumo de alimentos ultraprocessados, e o aumento do sedentarismo, também contribuem para o avanço da doença.
– Com a mudança de hábitos, estamos vivendo uma epidemia de obesidade no mundo – afirmou Dr. Glauco.
O Rio Grande do Sul lidera o ranking nacional, com 42% de adultos com obesidade, segundo dados de 2025 do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (Sisvan). Na sequência aparece o Rio de Janeiro com 40,6%.
No Brasil, os dados mais recentes indicam crescimento expressivo da doença. O número de adultos com obesidade aumentou 118% entre 2006 e 2024, segundo a pesquisa Vigitel (Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico) 2025, divulgada pelo Ministério da Saúde.
Tratamentos disponíveis
O tratamento varia conforme o grau da obesidade e deve envolver diferentes áreas da saúde. Casos mais leves podem ser tratados com medicações e acompanhamento clínico, enquanto situações mais graves podem exigir a cirurgia bariátrica.
– Hoje temos o tratamento clínico, com medicamentos injetáveis, que ajudam nos casos mais leves. Já a cirurgia fica para os casos mais graves – detalhou.
Além disso, o acompanhamento precisa ser contínuo e multiprofissional, envolvendo alimentação, saúde mental e atividade física.
O que é a cirurgia bariátrica
A cirurgia bariátrica é um procedimento indicado para o tratamento da obesidade em casos mais graves, especialmente quando outras formas de tratamento não apresentam resultados. A técnica atua principalmente na redução do estômago e, em alguns casos, também na alteração do funcionamento do sistema digestivo, o que impacta a absorção de nutrientes e a sensação de fome.
Os critérios para o uso técnica considera principalmente o IMC. Em geral, é recomendada a partir do grau 2 com doenças associadas, ou no grau 3, mesmo sem outras complicações.
Além da intervenção, o tratamento exige acompanhamento contínuo com equipe multiprofissional, incluindo orientação nutricional, suporte psicológico e prática de atividade física.
– Não é só cirurgia. Envolve dieta, parte emocional e atividade física. Sem uma equipe multiprofissional, não há sucesso – afirmou.
Riscos e alerta
Entre os principais riscos da obesidade estão os problemas cardiovasculares, que podem atingir até mesmo pessoas jovens.
– O principal problema é a mortalidade cardiovascular, que é muito alta. Pacientes jovens podem morrer por distúrbios vasculares – alertou.
A orientação é que a obesidade seja reconhecida como doença e tratada com acompanhamento adequado, buscando reduzir complicações e melhorar a qualidade de vida.
Relembre o caso Dolly Martinez

Dolly Martinez, que participou da 10ª temporada do reality show Quilos Mortais, morreu aos 30 anos no último sábado (11), nos Estados Unidos. A informação foi divulgada no domingo (12) por sua irmã, Lindsey Cooper, em uma publicação nas redes sociais. A causa da morte não foi informada oficialmente.
Na programa televisivo, ela relatou enfrentar obesidade severa, insuficiência cardíaca, dificuldades respiratórias e dependência de oxigênio. Na época das gravações, pesava quase 270 kg.
Confira a entrevista completa